Jorge Antunes

7 de set de 2010 Postado por Fernando
Semana da Independência

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Dizer que o maestro Jorge Antunes foi precursor da música eletrônica brasileira é muito pouco comparado às realizações de toda a sua carreira. Sim, ele foi o primeiro músico brasileiro a usar instrumentos eletrônicos como arranjo, misturando o erudito com a cultura popular. Isso aconteceu ainda nos anos 60.

Em 1961 ele começou a estudar na Escola Nacional de Música da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro. Logo depois, em 64, ele iniciou o curso de composição e regência onde desenvolveu o estilo nacional, sendo influenciado por Villa Lobos. Nessa época ele construiu um violino (tocável e de bom som) todo feito com palitos de fósforos. Paralelamente, desde 1961 ele também estudava Física na Faculdade Nacional de Filosofia. Foi nesse lugar onde ele entrou em contato com geradores, filtros, moduladores e outros aparelhos eletrônicos e obteve conhecimento aprofundado sobre o universo das cores. Não demorou muito, fundou um Estúdio de Pesquisas Cromo-Musicais onde realizava pesquisas e inventos que culminaram na teoria chamada Cromoplastofonia, ou música Cromofônica que consiste em corresponder, de forma exata, cores aos sons. Segundo ele, cada tom cromático está vinculado no sentido oposto da escala de cores à uma nota musical, sendo o preto o silêncio absoluto. Em 1962 ele compôs a primeira obra brasileira feita exclusivamente com sons eletrônicos, a Valsa Sideral. Anos depois, enquanto continuava suas pesquisas, unindo a música não apenas as cores, mas aos cinco sentidos, ele se destaca como um dos representantes da música brasileira em âmbito nacional e internacional.
Não é a toa que ele é conhecido como o "Jean Michel Jarre" do Brasil.

A partir 1967, quando foi nomeado Professor de Música Eletroacústica no Instituto Villa Lobos do Rio de Janeiro, seu trabalho só ganhou reconhecimentos. Indo para Argentina por meio de uma bolsa de estudos, trabalhou no Laboratório de Música Eletrônica do Instituto Torcuato Di Tella de Buenos Aires. Depois, por conta de outra bolsa doada pelo governo Francês, ele partiu para Paris onde atuou como compositor-estagiário e iniciou o Doutorado em Estética Musical na Sorbonne, Universidade de Paris VIII. No final dos anos 70 ele volta para o Brasil e começa a usar toda a sua bagagem para desenvolver inúmeras atividade culturais e políticas em Brasília junto a movimentos populares e intelectuais. Nessa época, ele regeu a famosa Sinfonia das Diretas (com o som das buzinas de 300 carros em um estacionamento) e compôs um Hino Nacional Brasileiro Alternativo com vocabulário popular e lutou para que esse substituísse o original.


Tempos depois, ele foi contemplado com a Bolsa Vitae, que lhe permitiu realizar pesquisas durante um ano na Europa e no Oriente médio. Durante este período ele concluiu a ópera OLGA, baseada no drama da vida real de Olga Benário. Antunes também recebeu do ministério da Cultura da França, o título de Chevalier des Arts et des Lettres, um dos mais importante títulos honoríficos outorgados pelo governo francês.
Essas são apenas algumas de suas realizações. Para maiores informações, acesse seu site oficial.

Assista no vídeo abaixo uma reconstrução gráfica da Sinfonia das Diretas (infelizmente não foi filmada), que é a abertura do seu documentário biográfico, feito para o programa DOCTV da TV Brasil.



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